“Parte de mim queria acreditar que tudo estava bem, outra queria fugir e tentar fingir estar feliz. Mas eu havia passando todos os meus dias fugindo de tudo… Não era sem tempo de eu encarar algo como isso, no fundo no fundo eu sabia que tudo se resolveria só o tempo que levaria para isso acontecer que era incerto. Eu não fugi dessa vez! Logo que cheguei ao apartamento assustei-me, pois a porta não estava trancada, entrei com calma. Tudo estava excepcionalmente no lugar! Nada parecia igual para mim, mas eu não tinha como saber o que tinha acontecido. Vasculhei os cômodos da casa na procura dele ou de algo que me explicasse seu desaparecimento e até mesmo o meu. Nada foi encontrado.
Eu me vi mais uma vez sem saída, sem pistas, nem opções.
# trííín #
Era a porta, alguém chegara! Atendi, era um homem aparentemente normal, então abri a porta. Ele me explicou que o dono do apartamento havia se ausentado por motivos alheios a sua compreensão e que havia deixado ordens explicitas para que quando eu chegasse fosse bem recebi e instalado imediatamente! Estranhei, mas não disse nada, apenas sorri ao receber uma chave e uma maleta preta de couro.
O homem disse-me que estaria no telefone caso eu precisasse de algo, era só ligar.
Agradeci e fechei a porta atrás de mim. Corri para o sofá, sentei-me e abri a maleta com a chave que me foi dada, de cara vi uma grande quantia em dinheiro vivo! Havia documentos com minha foto e um nome qualquer, um bilhete e outra chave. Respirei fundo ao pegar o bilhete. Era dele, não havia dúvida. Senti vontade de não ler por um milésimo de segundo, mas essa logo passou.
Eu queria respostas, sim eu queria! Aquele pedaço de papel me daria algumas. Eu sentia-me um pouco triste com o fato de ele ter feito aquilo e não me esperado em casa eu queria que ele estivesse ali para me abrir à porta, para me abraçar, para dizer por que tudo aquilo estava acontecendo conosco, eu não sabia por que tudo sempre acontecia bem na minha frente e eu não percebia. Ele estava metido com gente da pesada, isso eu sabia, ele havia me falado, mas até que ponto ele estava compromissado? Será se ele tinha que fazer coisas que não desejava? E eu, onde entrava nessa história toda? Era apenas um menino tolo sem casa… Mas aqueles que não gostavam de mim, assim eu pensava, havia me levado até ele, me maltratado, praticamente me matado! Eles não me queriam bem, eu sabia, ou sentia… Quem eram ‘eles’?!
Maldita falta de informação!!
Abri o papel e li.
“eu sei que tudo parece acabado, acalme-se! Se estiver lendo isso é porque ainda significa que ainda vive, isso me alegrará. Eu não de deixarei, jamais! Quero te proteger… Faça o que mando, proteja-se.”
Simplesmente isso! Era frustrante lê aquilo.
Onde ele estaria? O que eu faria? Tantas perguntas… Fui até o quarto dele e abri o armário, havia várias roupas e uma grande mala preta. Peguei uma peça, não era dele, pois era do meu tamanho, ele usava três ou quatro números a mais que eu. Eram roupas para mim, mas precisaria eu de roupas? Lembrei-me dos documentos, do endereço, das chaves…
- ele quer que eu vá a esse lugar, tem que ser isso!!
Não demorou muito para eu jogar, literalmente, todas as roupas na mala, peguei algumas coisas que eu achei que seriam necessárias a mim, apanhei a maleta preta que me foi entregue há pouco tempo, liguei para o homem e pedi um táxi para me levar ao endereço. Não era na cidade, tinha que pegar um ônibus até lá. Assim fiz, já era umas três da tarde quando cheguei ao lugar, de táxi. Era uma grande casa.
Roguei aos céus que ele estivesse lá, me esperando com todas as respostas para minhas inúmeras perguntas e com todo o amor que tinha para me dar.
Eu estava entregue ao destino, mais uma vez.